Eva Luna Brás Pinho
Foi na Sala Dourada da Casa da Democracia que Os 230 entrevistaram Eva Brás Pinho, deputada do Partido Social Democrata, eleita pelo círculo de Lisboa, membro da Comissão de Educação e Ciência.
Uma das mais jovens deputadas com assento na AR, Eva começa por se confessar uma privilegiada, admitindo que cresceu com a consciência de que a sua realidade não era a mesma de toda a gente. Estudou sempre em colégios e formou-se na Universidade Católica: “tenho a plena consciência de que a vida que eu vivi não é a mesma que, se calhar, a grande maioria dos portugueses, e a grande maioria dos jovens com a minha idade, viveram”. Mas defende que isso só faz com que se sinta com o dever de contribuir para que nenhum jovem deixe de sonhar, na medida em que ela própria sonhava, só porque não cresceu no mesmo contexto socioeconómico.
A escolha pelo PSD
Com uma família maioritariamente de esquerda, à exceção do seu pai, simpatizante do PSD, diz ter crescido num seio muito democrático, com muitos debates e discussões sobre vários temas. Foi quando completou 16 anos, quando frequentava o 11º ano, que se decidiu pela JSD. Na altura o PS era governo e estava contra os contratos de associação, procurando diminuí-los. Isso fez com que os Salesianos de Manique, o colégio que frequentou, se vissem obrigados a reduzir o número de turmas, levando a que muitos colegas seus, sem hipótese de pagar, começassem a sair do colégio. O sentimento de revolta que sentiu, na altura, fê-la perceber que era no PSD que se encaixava.
A proibição da utilização de telemóveis nas escolas
Na Comissão de Educação e Ciência, Eva Brás Pinho considera que a recomendação de proibição da utilização dos telemóveis nas escolas teve uma boa intenção e que o ministro da Educação vai usar métricas para se poder avaliar se a medida está a corresponder ao que se tinha por objetivo: “Precisamos de uma escola tecnológica, que prepara os alunos para uma educação responsável e para uma utilização responsável daquilo que são os equipamentos tecnológicos”.
A sub-representação da mulher nas instituições internacionais
Depois de estudar Direito, Eva teve como tema da sua tese a sub-representação das mulheres nos tribunais internacionais. Em Portugal, diz, existe um grande número de mulheres magistradas e advogadas, mas existe uma segregação de hierarquia, ou seja, “existem muitas juízas mulheres na 1ª instância, algumas juízas mulheres no tribunal da relação, mas não existem mulheres nos tribunais superiores”. Ou melhor, existem, mas poucas, e ainda menos nas lideranças dos tribunais superiores. “As mulheres continuam a ter pouca representatividade” porque, apesar de existir uma maioria de mulheres no setor, nos cargos mais elevados e de liderança, não existem mulheres. Esta situação resolver-se-ia com a implementação de quotas de género. Nas instituições que não têm este tipo de exigência, afirma, “nota-se claramente uma diferença de representatividade”.
Artigo escrito por Mónica Mota, colaboradora do Projeto Os 230
Nome Completo
Eva Luna Brás Pinho
Data de Nascimento
04/12/1999
Habilitações Literárias
- Licenciatura em Direito
- Mestrado em Direito Transnacional
- LL.M. Law in an European and Global Context
Profissão
Advogada
Comissões Parlamentares
- Comissão de Assuntos Europeus [Suplente]
- Comissão de Educação e Ciência
- Comissão de Cultura Comunicação Juventude e Desporto
- Comissão Parlamentar de Inquérito - Gémeas Tratadas com o Medicamento Zolgensma
- Comissão Eventual para o acompanhamento integrado da execução e monitorização da Agenda Anticorrupção
- Grupo de Trabalho - Parlamento dos Jovens [Coordenador]