Ana Elisabete Laborda Oliveira
Para a deputada Ana Oliveira, é muito difícil dizer que não a um desafio. Realizou Mestrado em Psicologia Clínica e Psicoterapia mas tem um percurso profissional diversificado: trabalhou em secretariado, foi empresária e mais recentemente colaborou na gestão de Parques de Campismo. Foi deputada entre 2011 e 2018, regressando em 2024, integrando sempre as listas do PSD pelo Círculo Eleitoral de Coimbra.
Em entrevista aos 230, conta que teve uma experiência profissional que a marcou profundamente: a passagem pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na qual esteve envolvida num projeto relacionado com o isolamento social dos idosos: “esse projeto fez de mim outra pessoa porque vi realidades muito agressivas, mesmo numa grande cidade como Lisboa. Diria que foi um trabalho que me enriqueceu muito”.
Compreender o outro na política
Embora a sua família não estivesse associada a partidos, foi desde cedo inspirada a ver e pensar a realidade à sua volta, especialmente por influência do pai, “uma pessoa extremamente irreverente e com grande conhecimento sobre o mundo” devido à sua profissão que o levava a viajar muito. “Aguçou-me esta perspectiva de querer fazer algo mais e poder participar na sociedade”, acrescenta.
Enquanto frequentava o ensino superior, conheceu vários jovens ligados à JSD da Figueira da Foz e acabou por se inscrever no partido. Para si, o PSD foi uma escolha clara “por ser um partido humanista, próximo das pessoas. Tem sido uma família com um sentido de missão política.”
Questionada sobre o modo como a formação académica em Psicologia molda a sua visão perante a política, a deputada responde: “Compreender o outro. Termos a capacidade de perceber que existem outras opiniões, às vezes, contrariando até esta lógica que existe no combate político atual que é “eu tenho a minha opinião, o outro tem a sua opinião e por aqui ficamos”. Eu vejo uma discussão como forma de podermos perceber o outro e até considerarmos que parte da sua opinião faz sentido. Eu acho que o estudo da Psicologia dá essa sensibilidade”.
Melhor coordenação no acesso à saúde
Ana Oliveira integra duas grandes comissões parlamentares: a de Orçamento, Finanças e Administração Pública e a Comissão de Saúde. Abordada sobre declarações suas na discussão do Orçamento do Estado para 2026 em que afirmava que o Ministério da Saúde conta agora com mais de 150 mil profissionais, sendo o número mais elevado de sempre e sendo um sinal de recuperação e estabilidade, esclarece que falava especificamente sobre os cuidados de saúde primários, afirmando que há um acesso mais rápido mas que o acesso a cuidados hospitalares acaba por ser mais “complexo”.
“Temos aqui uma data de situações que vão demorar o seu tempo, mas que têm que ser revistas para haver esta coordenação que falta no acesso à saúde”, nomeadamente a estabilidade dos profissionais, a atualização das carreiras e uma nova organização hospitalar. Olhando à sua formação profissional e falando especificamente sobre saúde mental, reconhece que existem poucos profissionais, não só no Serviço Nacional de Saúde mas também na área da educação.
O papel dos conservatórios na sociedade
Precisamente em matéria de educação, falou-se sobre o ensino artístico, nomeadamente o ensino articulado. A deputada confessou ter um filho no ensino articulado e por isso convive diariamente com esta realidade: “os conservatórios têm um papel fundamental na nossa sociedade. Eu acho que, cada vez mais, os pais estão mais sensíveis e reconhecem a importância da criança ter formação artística. É fundamental até para crescerem enquanto pessoas mais humanas, mais solidárias, mais atentas ao outro.”
Reconhece que há um subfinanciamento desta tipologia de ensino, maioritariamente privado e cooperativo, e que muitas escolas, sem o devido apoio negociado nos contratos de patrocínio, poderão acabar por fechar. Acredita que o atual governo poderá mudar esta situação e garantir que mais alunos possam frequentar o ensino artístico.
Artigo elaborado por João Marques, colaborador do projeto Os 230
Nome Completo
Ana Elisabete Laborda Oliveira
Data de Nascimento
10/04/1984
Habilitações Literárias
- Licenciatura em Psicologia
- Mestrado em Psicologia Clinica e Psicoterapia
Profissão
Técnica Superior
Comissões Parlamentares
- Comissão de Assuntos Europeus
- Comissão de Saúde
- Comissão Parlamentar de Inquérito - Gémeas Tratadas com o Medicamento Zolgensma [Suplente]
- Grupo de Trabalho – Audiências [Coordenador]