Entrevista a André Coelho Lima
  • 31.08.2021
  • PSD
  • Braga
  • XIV Legislatura

31.08.2021

XIV Legislatura

Braga

PSD

André Guimarães Coelho Lima

O deputado do Partido Social Democrata (PSD), André Coelho Lima, nasceu em Guimarães, acompanhado de um peso da história, numa cidade onde para além da admiração pelos monumentos, acredita que “o valor imaterial da tradição sente-se mais nas pessoas do que nas pedras”. Hoje em dia, consegue refletir as formas como o nosso povo, que um dia “deu novos mundos ao mundo (…) precisa de ambição”.

A comunicação na vida profissional

André Coelho Lima teve funções na advocacia, enquanto dirigente do Vitória e como político na Assembleia da República, com estes três percursos muito marcados pelas suas fortes características comunicacionais.

Foi por vocação que diz ter enveredado pelo mundo jurídico. O interesse pela área prende-se ao facto de um advogado “poder resolver os problemas às pessoas e de o poder fazer com armas que as pessoas não sabem que nós temos”. Apesar de já ter reconhecido uma aura de conhecimento hermético na advocacia, o mais desafiante para André Coelho Lima foi ter de passar por um período de transformação em que, com a Internet, as pessoas passaram a ter mais informação e, portanto, passarem de “não ter conhecimento nenhum das áreas jurídicas e forenses, para passarem a ter todas elas um conhecimento e opinião”.

Noutra dimensão da sua vida, ligada ao futebol, chegou a ser presidente do departamento de Juventude do Vitória Sport Clube. O deputado do PSD conta: “estava na bancada e tinha sempre opiniões sobre aquilo que estava a ver. Tinha opiniões sobre as coisas que me interessam e, tendo opiniões tento intervir sobre isso”. E explica que foi exatamente isso que também o motivou a seguir um caminho político. No fundo, “nunca quis ficar só como opinião de café” e, por isso, “lutar pelo que podia ser feito” sempre foi o seu grande objetivo. Daí terem surgido estes convites, em 1993 para a presidência do Vitória, e mais tarde para a política.

A vocação política

André Coelho Lima sublinha que nenhum dos seus passos profissionais foi antecipado com uma projeção futura. Isto é, acredita que “a ocupação dos cargos é algo que deve vir (…) mais porque os outros que estão à nossa volta consideram que temos capacidade para desempenhar determinadas funções, do que por nós termos ambição”. O deputado do PSD crê que de outra forma iria apenas parecer que “atingir o cargo é que é o fim”, quando na verdade “é apenas um meio. O Fim é outra coisa muito maior. O fim é aquilo que podemos fazer com o poder que temos a um determinado momento.”

As funções de um vice-presidente

Atualmente, André Coelho Lima é vice-presidente do PSD. Na sua ótica, as funções de alguém com este cargo são, “em primeiro lugar, ser leal ao presidente. Ter a consciência de que quem venceu as eleições foi o presidente do PSD, não foi a sua equipa. A sua equipa é eleita em congresso. Quem está aqui está porque quem venceu o escolheu”.

Esta lealdade, no entanto, não significa abdicar da sua “liberdade de pensamento e sentido crítico. Ou seja, ser vice-presidente de alguém é também contribuir para com ele, com sobretudo a nossa verdade”. A sinceridade para com o presidente do PSD, Rui Rio, é algo que tenta prezar de forma a ser um contributo positivo, que espera ser ao dizer aquilo que com ele concorda ou discorda.

Os desafios na Assembleia da República

Há assuntos que continuam a ser desafiantes na AR, sendo o contributo para uma maior transparência um deles. O deputado explica que percebeu que “quando se querem fazer grandes reformas (…) normalmente nunca resulta.” Segundo André Coelho Lima, isto acontece pela existência de conflitos políticos que têm tendência a impedir grandes reformas que fiquem associadas a um determinado partido. Partilha da opinião que “temos tido debates muito importantes que são específicos, circunscritos a uma área, a uma alteração que no fundo as pessoas, se forem a ver (…) é um artigo que muda uma linha ou nem isso (...) Mas conseguem-se mais alterações desta forma do que se vierem incorporadas de uma grande reforma”.

Outro assunto que gera reflexão da parte do deputado está ligado à segurança interna e à falta que está a fazer ter uma visão global. O próprio afirma que “temos um sistema de segurança interna que funciona por capelas” e o que se deve procurar é “uma interligação, uma cooperação. Até nem sequer comunicação existe entre forças. Existe de forma muito deficitária. E tudo isto para mudar, aí sim, precisa de uma reforma chapéu, de perspetiva holística e abrangente.”

Sublinha que para que estas mudanças aconteçam é preciso valorizar um dever muito importante. Considera que os políticos não se devem voltar apenas para a sua própria força política e para os que têm pensamentos semelhantes ou têm mais empatia, mas também “ser capazes de conversar com todos, porque é desta conversa, de percebermos quais são os pontos que nos unem, que nós somos capazes de fazer alguma coisa”.

Mensagem aos portugueses

Por fim, André Coelho Lima decide deixar uma “mensagem dupla e ambígua”. Sugere aos portugueses para “por um lado, manterem esta característica que temos ido ao longo dos anos e que nos faz viver em paz e tranquilos connosco mesmos”. Por outro lado, considera que “temos uma contradição com a nossa história” por falta de ambição. Recorda que, em tempos, tivemos um grande “empreendedorismo, uma aventura, éramos topo em termos científicos, em vários sentidos (…) mas ficámos tão mirrados durante o período do antigo regime que levou três gerações a transformar Portugal num país diferente”. Assim, sublinha que Portugal deve manter a sua paz e desejo de tranquilidade, mas precisa de mais ambição.

Artigo escrito por Joana Teles Ferreira, colaboradora do projeto Os 230

Nome Completo

André Guimarães Coelho Lima


Data de Nascimento

31/05/1974


Habilitações Literárias

  • Licenciatura em Direito


Profissão

Advogado


Comissões Parlamentares

  • Comissão de Assuntos Constitucionais
  • Direitos
  • Liberdades e Garantias
  • Comissão de Defesa Nacional [Suplente]
  • Comissão de Assuntos Europeus [Suplente]
  • Comissão de Transparência e Estatuto dos Deputados [Coordenador GP]