Entrevista a Duarte Pacheco
  • 22.05.2021
  • PSD
  • Lisboa
  • XIV Legislatura

22.05.2021

XIV Legislatura

Lisboa

PSD

Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco

Passaram-se 30 anos desde que Duarte Pacheco iniciou a sua vida profissional enquanto deputado do Partido Social Democrata (PSD). Assistiu a várias eleições, mas “ganhar e perder é normal” e os momentos que realmente o marcam são outros.

Atualmente, é um dos Secretários da Mesa da Assembleia da República (AR), tendo já trabalhado com 5 presidentes. Para além disso, é Presidente da União Interparlamentar (UIP), uma organização multilateral com princípios democráticos que, ao juntar mais de 170 parlamentos do mundo, lhe lança desafios como a resolução de conflitos entre povos e o aumento da participação das mulheres e jovens nos cargos na delegação dos seus países.

Os 30 anos de mudança

É deputado desde 1991, mas, entretanto, o que mudou? Nem tudo é mau, nem tudo é bom, como explica. A logística e organização laboral evoluíram bastante com os avanços tecnológicos e a ampliação do espaço de trabalho. No entanto, as pessoas, que inicialmente conviviam muito, por estas mesmas evoluções, quebraram essa proximidade.

Duarte Pacheco conta que há contextos que agravam esta situação, mas aquele que veio transformar por completo as relações interpessoais foi o período de pandemia. Lembra que “se há uns anos, o perigo que podíamos ter numa notícia da comunicação social era de um plenário com poucos deputados presentes, hoje houve reportagens em que era o contrário, é que havia deputados a mais presentes tendo em conta as regras confinamento” e “isto só prova como a pandemia veio a alterar por completo o pensamento geral.”

A mediatização política também teve peso na alteração do Trabalho das Comissões. Uma vez que passaram a ter a presença dos jornalistas, o deputado sente os discursos políticos, muitas vezes não são dirigidos “para o colega que está em frente, mas para o jornalista ou para o canal de televisão que está a transmitir”. Considera que isto veio prejudicar a produtividade e a procura de conciliação das opiniões divergentes entre partidos, uma vez que todos procuram evitar títulos que sublinhem recuos ou perdas de debates, no momento em que alguém faz cedências.

Os momentos marcantes da AR

Há dois momentos que o Secretário de Mesa da AR destaca como marcantes na sua vida política. O primeiro é referente ao dia da sua tomada de posse, “em que um miúdo, com 25 anos, entra naquilo que só conhecia pela televisão e vê a cara das pessoas, dos barões do regime” e passa a ser “um deles”.

A partir daí, confessa que tudo foi normal, mas não esquece as eleições legislativas de 2015. Após uma moção de rejeição ao programa do Governo eleito por maioria de votos do PSD-CDS, a formação de Governo entre o PS, o PCP, o BE e o PEV influenciou uma “rotura em que as pessoas deixaram de se falar” devido a uma “sensação de roubo” e “arrogância”. Este foi, portanto, um momento em que os deputados se voltaram a distanciar na AR.

As escolhas do deputado do PSD

O projeto Os 230 procura colocar a questão “180 ou 230?”, referente ao número de deputados da AR. Neste sentido, Duarte Pacheco não hesita em explicar que escolhe os 230 porque “se nós reduzimos (o número de deputados) drasticamente, significa que há distritos que deixam de ter praticamente representação no Parlamento” e isso não deve acontecer porque “os portugueses valem todos o mesmo”. Tal iria ter implicações negativas na pluralidade da representação parlamentar e gerar um aumento de uma camada de “portugueses que se sentem excluídos, que sentem que não está ninguém a representar o seu pensamento”.

A mensagem aos portugueses

Por fim, apesar de já ter tido a oportunidade de visitar cerca de 90 países, tanto em trabalho, como em lazer, o deputado do PSD escolhe os termos “lar” e “pátria” para definir Portugal. É neste país que considera uma casa que decide falar aos portugueses e afirmar que tem muito orgulho em ser deputado. Assim, diz que hoje é “democrata por coração” e não deixa de terminar a entrevista sem sublinhar “que é preciso cada um defender aquilo em que acredita, com tolerância pelo outro, com respeito pelo outro.”

Artigo escrito por Joana Teles Ferreira, colaboradora do projeto Os 230

Nome Completo

Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco


Data de Nascimento

25/11/1965


Habilitações Literárias

  • Licenciatura em Economia
  • Mestrado em Estudos Europeus


Profissão

Economista


Comissões Parlamentares

  • Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas [Suplente]
  • Comissão de Orçamento e Finanças [Coordenador GP]
  • Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução [Coordenador GP]
  • Comissão Eventual de Verificação de Poderes dos Deputados Eleitos