Hugo Patrício Martinho de Oliveira
Os 230 foram conhecer Hugo Oliveira, deputado do Partido Social Democrata (PSD) desde 2019, eleito pelo círculo eleitoral de Leiria.
Com forte ligação às Caldas da Rainha, de onde a sua mãe é natural e onde desempenha funções de vereador desde 2001, era incontornável abordar a famosa cerâmica de cariz erótico pela qual a cidade é conhecida. O deputado é confrade e presidente da mesa assembleia geral da “Confraria do Príapo” que deve o seu nome ao deus grego da fertilidade, filho de Dionísio e Afrodite. Segundo o parlamentar, a associação “pretende proteger e valorizar o ativo da loiça malandra das Caldas”. “Faz parte da cultura e memória coletiva do povo português. Não há que ter vergonha”, afirma.
As Caldas da Rainha têm ainda uma antiga tradição termal e nessa qualidade, no âmbito das suas funções autárquicas, foi membro e vice-presidente da Rede Europeia de Cidades Históricas Termais. Avalia essa como uma experiência de “partilha de conhecimento sobre aquilo que é o termalismo na Europa e até no mundo inteiro".
“As termas estão ligadas a uma tipologia específica de turismo, património e à cultura, própria de quem frequentava os balneários termais”, explica. Valoriza o papel do saber na resposta e trabalho político: “É importantíssimo para quem quer estar na vida pública conhecer e poder aplicar esse conhecimento. Tenho uma filha de seis anos e digo-lhe que todos os dias tem que aprender alguma coisa”.
“Entendo a política como algo nobre, não como uma profissão”
Nasceu em 1974 em Angola, oito meses após o 25 de Abril. Agradece o facto de conhecer África através da sua família, apesar de ter sido uma das milhares que se viu forçada a regressar a Portugal no período da independência.
Apesar da pouca memória de “retornado”, recorda um início de vida difícil: “Os primeiros anos da minha vida foram vividos numa pensão com os meus pais. Eu e a minha irmã tínhamos que partilhar o mesmo quarto. Este início de vida foi difícil mas que me tornou mais forte e que me ajudou a construir o ser que sou hoje.”
Na campanha de Freitas do Amaral para as eleições presidenciais (1986), pediu à mãe para colocar uma bandeira no carro e fazer uma caravana de campanha. “Eles olharam para mim e acharam um bocado estranho. Aos 14 anos decidi ler os programas eleitorais dos partidos políticos. Percebi que alguns eram muito utopicamente muito bonitos mas não tinham uma aplicação prática. E fiz a minha opção, quis ser militante de uma juventude partidária (JSD)”.
Formou-se em Direito mas nunca exerceu advocacia. Depois de uma curta passagem pelo setor energético, iniciou funções partidárias e políticas em 2001. “Eu entendo a política como algo nobre, não como uma profissão. Desde os 14 anos, quando decidi entrar para a política, disse que ia entrar para fazer alguma coisa que fosse consequente, ou seja, para poder mudar alguma coisa. E sinto que faço isso em todo o meu percurso”, avalia.
“O ambiente deve preocupar-nos a todos”
Na Assembleia da República integra a Comissão Parlamentar de Energia e Ambiente. Elaborou o regime jurídico de gestão do arvoredo urbano em 2021 e o regime transitório para a legalização dos edifícios das associações. As suas maiores preocupações no momento prendem-se com a falta de água, as alterações climáticas, a transição energética e a separação de resíduos.
Acredita que os problemas ambientais devem ser responsabilidade de todos: “Precisamos olhar para o ambiente não como um problema que algumas pessoas se preocupam: é um problema que nos deve preocupar a todos. Nós temos de procurar políticas de equilíbrios tal como o ambiente tem que ter equilíbrio.”
Artigo elaborado por João Marques, colaborador d’Os 230
Nome Completo
Hugo Patrício Martinho de Oliveira
Data de Nascimento
29/12/1974
Habilitações Literárias
- Licenciatura em Direito
Profissão
Jurista
Comissões Parlamentares
- Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas [Suplente]
- Comissão de Ambiente e Energia