Entrevista a Isabel Mendes Lopes
  • 16.04.2025
  • Livre
  • Lisboa
  • XVI Legislatura

16.04.2025

XVI Legislatura

Lisboa

Livre

Isabel Rendeiro Marques Mendes Lopes

Diz que sempre foi muito pouco interessada na vida político-partidária do país. Hoje, no entanto, é líder do Grupo Parlamentar do partido que teve uma das maiores subidas de votos nas últimas eleições legislativas – o Livre. Eleita pelo círculo de Lisboa, Isabel Mendes Lopes estreou-se este ano como deputada à Assembleia da República.

Foi quando entrou no mercado de trabalho que se apercebeu da sua inquietação em relação ao modo de funcionamento de várias coisas à sua volta. Começou a comparecer em diversas reuniões e eventos, na altura da Troika, sem saber que esses encontros estariam na gênese do Livre. Diz ter-se revisto, desde o início, nos valores da esquerda, da ecologia e da liberdade que o partido promove, tendo-se envolvido e participado na discussão sobre os seus estatutos. E afirma ter encontrado no Livre, e nos seus membros, “uma forma de ver o mundo e de trabalhar muito parecida com a sua”. No final de 2015 foi eleita como membro do Grupo de Contacto.

“A geringonça foi um período muito feliz para o país”

Isabel Mendes Lopes acredita que o país progrediu com a coligação à esquerda, na altura do primeiro governo de António Costa, mas confessa que “a geringonça podia ter sido muito mais bem aproveitada, para se ter ido mais além”.

O referendo ao AL em Lisboa

A deputada representa o Livre na Assembleia Municipal de Lisboa, onde se nota que existe vontade de se fazer um referendo sobre o Alojamento Local. Questionada sobre se faz sentido aprovar o referendo, Isabel Mendes Lopes admite que o AL é realmente um problema em nichos específicos na cidade de Lisboa e que os próprios residentes da cidade têm de ser consultados e ouvidos quanto à resolução que acham por bem tomar.

Para a deputada, “uma cidade saudável é uma cidade onde vários usos são conjugados e onde existe habitação para os vários tipos de rendimentos das pessoas, onde existe comércio, onde existe alojamento local, mas tudo de uma forma equilibrada e é isso que não está a acontecer”. Diz ainda que a habitação é um direito básico e que todos deviam estar preocupados em assegurar habitação digna a todas as pessoas.

A 3ª travessia sobre o Tejo também deve ter ferrovia?

Isabel Mendes Lopes estudou Engenharia Civil no Técnico e especializou-se em Transportes, integrando, hoje em dia, os quadros das Infraestruturas de Portugal. Sobre o cada vez maior tráfego rodoviário, a deputada esclarece que esse é um dos grandes desafios nas nossas cidades e que não temos feito uma boa gestão dos espaços públicos: “Faltam redes de faixas bus, onde os autocarros possam andar, (…) e isso é que permite ir reduzindo o número de carros na cidade”.

Sem qualquer dúvida, a deputada garante que a ferrovia é muito atraente e é a melhor forma de chegar a Lisboa ou ao Porto, mas que é preciso olhar para o sistema de transportes públicos e perceber como é que pode servir melhor as pessoas. Enaltece a criação do Passe Ferroviário Nacional, mas revela que o que considera que deve existir é um Passe de Mobilidade Nacional, que dê acesso a todos os modos de transporte.

Em relação à TTT - Terceira Travessia do Tejo, Isabel Mendes Lopes afirma ser providencial a construção de uma nova ponte sobre o Tejo e afirma que não se deve limitar o seu uso, porque não devemos condicionar uma infraestrutura destas à nossa visão atual: “A ponte não deve limitar o tipo de tráfego que tem, deve ser dimensionada também para tráfego rodoviário – faixas bus para autocarros, ciclovias, acesso a veículos de segurança, ambulâncias…”

Artigo escrito por Mónica Mota, colaborador do Projeto Os 230

Nome Completo

Isabel Rendeiro Marques Mendes Lopes


Data de Nascimento

28/02/1982


Habilitações Literárias

  • Mestrado em Mobilidade e Transportes


Profissão

Engenheira Civil


Comissões Parlamentares

  • Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas [Suplente]
  • Comissão de Economia
  • Obras Públicas e Habitação [Coordenador GP]
  • Comissão de Educação e Ciência [Coordenador GP]
  • Comissão de Saúde [Suplente]
  • Comissão de Trabalho
  • Segurança Social e Inclusão [Coordenador GP]
  • Comissão de Ambiente e Energia
  • Comissão de Poder Local e Coesão Territorial [Suplente]
  • Comissão Parlamentar de Inquérito – à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa [Coordenador GP]
  • Grupo de Trabalho – Audiências e Audição de Peticionários
  • Grupo de Trabalho - Parlamento dos Jovens
  • Grupo de Trabalho - Avaliação da Lei nº 62/2007
  • de 10 de setembro
  • que estabelece o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior
  • Grupo de Trabalho – Inclusão e Direitos das Pessoas com Deficiência
  • Grupo de Trabalho - Alargamento da Licença Parental Inicial