Entrevista a Paula de Medeiros
  • 28.01.2025
  • PSD
  • XVI Legislatura

28.01.2025

XVI Legislatura

PSD

Paula Maria Nunes de Medeiros

Natural dos Açores e com família beirã, Paula Medeiros viveu 10 anos em Toronto, Canadá, onde desenvolveu parte da sua atividade política e associativa. Integrou as listas do Partido Social Democrata na última eleição legislativa pelo círculo eleitoral Fora da Europa e ocupou o lugar no hemiciclo em substituição do deputado Flávio Martins. Mesmo já não se encontrando na Assembleia da República desde o início de janeiro, o projeto “Os 230” partilha as experiências e visões da anterior deputada.

Licenciada em Política Social, mestre em Serviço Social e doutoranda em Sociologia, coordenou o Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) do Algarve, do Alto Comissariado para as Migrações, entre 2013 e 2020. Colaborou também no Consulado-Geral de Portugal em Toronto, com a pasta dos assuntos sociais.

Migrações e o respeito pela diferença

Convidada a comparar portugueses e canadianos, explica que os portugueses têm uma capacidade de adaptação muito superior: “está no nosso ADN. Onde passamos, acabamos por marcar a diferença. Para além da nossa capacidade de adaptação temos uma maneira de ser muito peculiar: para alguns povos, como os brasileiros, podemos ser mais rigorosos e fechados. Para outros povos, como os nórdicos, acabamos por ter uma postura mais à vontade que acaba por nos abrir portas”.

Uma das suas principais áreas de trabalho é as migrações. Observa que o Canadá é uma referência no que diz respeito à integração de outros povos: “no Canadá, há a liberdade de sermos nós próprios, há respeito pelo outro, respeito pela diferença e isto é algo que todos temos que aprender”. Na visão da deputada, que tem dupla nacionalidade, é fundamental promover as tradições e as culturas, mas sabendo aceitar as diferenças. Para si, “a diversidade é sempre uma mais valia”, por isso, “todos os que vêm por bem devem ser aceites”.

Como deputada de um dos círculos da emigração, reconhece que os portugueses e luso-descendentes que residem em países como a Austrália, o Canadá, os Estados Unidos da América ou o Brasil se encontram muito sub-representados no parlamento português.

Os desafios da diáspora e a confiança dos portugueses na política

“Sou muito portuguesa mas há coisas que aprendi no Canadá como a proximidade. Nós só conhecemos o problema indo ao terreno. Como é que eu vou conhecer a realidade dos portugueses e dos luso-descendentes se eu não tiver oportunidade de visitar uma Venezuela ou uma Argentina, de que agora tanto se fala agora com as questões sociais? Onde se pode chegar a tanto lado quando se tem dois deputados pelo círculo de Fora da Europa? É preocupante. É uma mensagem para quem lá está [emigrantes e luso-descendentes] de que, de facto, há muito a fazer pela nossa diáspora”.

Paula Medeiros realça na entrevista o papel das mulheres na política, admitindo que há ainda um longo caminho a percorrer. “Olhamos para as nossas universidades e vemos as salas repletas de mulheres, mas depois olhamos para os cargos de liderança e não são assim tão expressivas. Algo está a falhar. [É necessário] aumentar a confiança dos portugueses na política para que se sintam representados, especialmente as mulheres, para que se sintam representadas”.

Artigo elaborado por João Marques, colaborador d’Os 230

Nome Completo

Paula Maria Nunes de Medeiros


Data de Nascimento

16/04/1981


Habilitações Literárias

  • Licenciatura em Política Social
  • Mestrado em Serviço Social
  • Frequência de Doutoramento em Sociologia


Profissão

Coordenadora de equipas


Comissões Parlamentares

  • Comissão de Assuntos Constitucionais Direitos Liberdades e Garantias [Suplente]
  • Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas
  • Comissão de Assuntos Europeus