A viagem por Portugal continua no Baixo Alentejo. O distrito de Beja é o maior do país em termos de área, com cerca de 10 mil quilómetros quadrados, mas também é um dos menos populosos, com cerca de 150 mil habitantes.
“É um distrito onde as pessoas vivem bem. Há uma grande qualidade de vida, é um sossego” afirma um jovem residente da cidade de Beja, apesar das assimetrias que se sentem em relação a outras regiões do país, nomeadamente nas acessibilidades.
“É um dos problemas que temos. Seria bom e haveria outro tipo de movimento se existe uma melhor rede rodoviária e ferroviária” afirma um dos residentes.
É incontornável falar de acessibilidades em Beja e não mencionar o Aeroporto, que os 230 visitaram. Inaugurado em 2009, a infraestrutura é hoje apenas utilizada para manutenção de aeronaves, pequenos voos charters e pela Força Aérea Portuguesa. O terminal de chegadas e partidas é uma zona fantasma, uma potencialidade desaproveitada na mobilidade nacional.
A hipótese de procurar uma vida melhor
“O aeroporto está parado. Até poderia empregar muita gente lá", diz uma vendedora do Mercado de Beja. Entre os vários entrevistados no episódio, a opinião é unânime: a desertificação do Alentejo deve-se à falta de oportunidades de emprego.
“Muitos jovens não conseguem criar o próprio trabalho, ou acabam por aceitar empregos que não são muito bons ou então têm que ir para fora, seja para Lisboa ou para o estrangeiro” refere um jovem bejense.
“Desertificação é a hipótese que as pessoas têm de procurar uma vida melhor. Porque aqui, não há hipótese. Aqui tens pouca oferta de trabalho. A oferta que existe são mais trabalhos sazonais. Apanha da azeitona ou vindima: a gente precisa de malta naquela altura mas vais trabalhar 3 meses já não trabalhas mais. As pessoas querem uma carreira, querem evoluir, ganhar mais. Aqui não é possível” afirma um comerciante de Serpa.
“A realidade económica mudou muito”
De facto, a agricultura e a ovinocultura continuam a ser os principais motores da economia local. A mecanização dos processos de produção agrícola, o regadio possível com a construção da Barragem do Alqueva e o investimento externo permitiram expandir os negócios.
“Aqui ainda há muita gente que ainda semeia, produz e vende” diz-se no Mercado de Beja. Um dos principais produtos produzidos na região é o azeite. “O azeite que agora temos é em grande quantidade mas ainda não é suficiente para o que se consome em Portugal” explica um produtor agrícola.
“A realidade económica mudou muito. Com a vinda de novas empresas a apostar na oliveira e azeitona, mudou radicalmente a economia, houve mais postos de trabalho, permanentes e sazonais”, acrescenta.
Cante Alentejano, o património imaterial do Alentejo
“O cante alentejano mantém-se vivo” afirma um técnico do Museu de Cante Alentejano, em Serpa. Género musical tradicional da região, a 27 de novembro de 2014, a UNESCO consagrou-o como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
“A transmissão da tradição continua a ser feita, desde já em casa, de pais para filhos. Evidentemente que hoje em dia as pessoas que cantam não são trabalhadores do campo. A transmissão faz-se também através da escola: existem inúmeros projetos noutras zonas e em Lisboa mas aqui em Serpa a particularidade é que o canto alentejano nas escolas é obrigatório, nas expressões artísticas”.
Nas escolas de Serpa, há de facto um incentivo à prática artística. Os 230 foram recebidos pelo Clube de Teatro da Escola Secundária de Serpa, “En(Cena)” que nos presentearam com um dos seus espetáculos. Trata-se de um projeto com cerca de 25 anos que sensibiliza os jovens estudantes para a arte.
A gastronomia é outra das artes que dá fama ao Alentejo. Pratos típicos como caldo de cação, sopa de cação de coentrada, açordas, migas tradicionais com carne do porco preto, ensopados de borrego, gaspacho ou as famosas Queijadas de Serpa da Casa Paixão são algumas das iguarias dignas de destaque.
O distrito de Beja tem 14 municípios: Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Odemira, Ourique, Serpa e Vidigueira.
O círculo eleitoral elege três deputados para a Assembleia da República.
Artigo escrito por João Marques, colaborador do projeto Os 230