Castelo Branco tem 11 concelhos e 120 freguesias. O distrito, pertencente à província da Beira Baixa, tem 6675 km quadrados e é o quarto maior distrito a nível nacional. Tem uma população de quase 200 mil habitantes e elege pelo círculo eleitoral 4 deputados. A equipa d’ Os 230 veio perceber como é que os habitantes desta região percecionam a política e o que têm a dizer sobre o estado em que se encontra a terra que habitam.
Em comunhão com a natureza
O episódio começa com o tilintar dos chocalhos das ovelhas. A pastorícia é uma atividade muito associada ao interior rural e à serra. “Não é uma profissão fácil e percebe-se o porquê de as pessoas procurarem outras ocupações, fora do campo”, refere o nosso entrevistado.
Subir à Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal Continental, consegue ser um desafio e tanto. O ciclista com quem falámos demora cerca de 1h15 a chegar ao topo da serra e não deixa que as baixas temperaturas e o vento que lá faz o desanimem. Através do ciclismo, consegue apreciar melhor a natureza e as paisagens do interior, o que não seria possível numa viagem de carro.
O associativismo jovem em Castelo Branco
O primeiro pontapé de saída neste tópico dá-se na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, onde os estudantes falaram sobre a sua perceção do associativismo no ensino superior. Para os entrevistados, o associativismo acaba por ser uma escola de política para quem o exerce e um meio para atingir objetivos mais elevados. Mais do que com o cargo, é importante que os jovens associativistas se preocupem com os seus pares e o bom funcionamento da faculdade.
Na aldeia das Donas, Mariana faz parte de um projeto de associativismo local, o Grupo de Convívio e Amizade nas Donas. Este coletivo traduz-se numa associação que pretende captar o interesse dos jovens para o associativismo através, principalmente, do desporto. Para além do Prémio Cerejeiras em Flor, que traz a esta aldeia equipas de todo o país, o grupo organiza ainda a Festa de Verão das Donas, que não viu a luz do dia durante a pandemia, mas garante regressar.
Necessidades de desenvolvimento
No interior, as pessoas têm uma relação mais próxima e são menos individualistas. É o que a jovem comerciante com que falámos aponta de positivo em Castelo Branco. No entanto, este espírito de ajuda e proximidade não é suficiente para reter as gerações mais jovens no distrito. Apesar de reconhecer os esforços do poder local nesse sentido, a entrevistada evidencia a necessidade de criação de mais emprego nas zonas do interior, para que os jovens não fujam para as cidades maiores.
Para além de mais postos de trabalhos, os locais que abordámos defendem também a importância de mais transportes. Afirmam que existe apenas maior diversidade de horários para Lisboa e Covilhã, mas que, para o Porto, por exemplo, o último autocarro é às 17h30 e demora 5 horas a chegar ao destino. É também muito difícil fazer viagens de lazer para outros sítios do país sem levar carro, devido à quantidade enorme de horas gastos em transportes.
Os concelhos de distrito são Vila Velha de Ródão, Vila de Rei, Sertã, Proença-a Nova, Penamacor, Oleiros, Idanha-a-nova ,Covilhã, Castelo Branco, Fundão e Belmonte. O distrito de Castelo Branco, tal como o da Guarda, tem sofrido uma perda de população imensa. Nos últimos 5 anos, perdeu mais de 100 000 habitantes.
Artigo escrito por Jorge Correia, colaborador do Projeto Os 230