Por Portugal – Évora

Neste episódio, espera-nos a planície do Alentejo e a sua capital. A 15ª paragem da série documental "18 dias, 18 distritos" é no distrito de Évora.

Com mais de 7 mil quilómetros quadrados, é o segundo distrito português com maior área geográfica, dominada pela vasta planície. A única exceção relevante é a bacia hidrográfica do Rio Guadiana, onde se destaca a Barragem do Alqueva, o maior reservatório artificial de água da Europa Ocidental.

O distrito de Évora regista uma população de cerca de 150 mil habitantes, menos 70 mil que em 1950. De facto, a desertificação natural e humana é um dos problemas que o distrito alentejano atualmente enfrenta.

A falta de oportunidades e o poder de fazer a diferença

Uma jovem natural de Évora destaca as vantagens de crescer na cidade: “é um sítio calmo, tranquilo, existe familiaridade entre as pessoas”. Contudo, apesar “da calma e tranquilidade do Alentejo, faltam oportunidades”, salienta.

“Por exemplo, para os jovens da minha geração, durante a infância e adolescência não tínhamos cinema na nossa cidade. Havia coisas que, para termos acesso a elas, tínhamos que nos deslocar para fora de Évora”, acrescenta.

O projeto “Os 230” falou com muitas pessoas que vivem, trabalham e estudam em Évora e todas destacam a falta de oportunidades profissionais no interior.

"Évora atrai muitos jovens por causa das escolas mas oportunidades de emprego não há”, explica outro cidadão.

No entanto, é com os jovens estudantes da Universidade de Évora que encontramos as razões da esperança: "Mesmo tendo que ir muitas vezes estudar para fora, é importante voltarmos para a nossa cidade para enriquecê-la e criar essas oportunidades para as futuras gerações”, dizem-nos, acrescentando que os jovens são uma "lufada de ar fresco", que traz novas formas de pensar. 

“Os jovens têm nas mãos o poder de fazer a diferença", concluem.

Valorização da história e do património

As primeiras evidências de Évora têm perto de 5 mil anos, fazendo da cidade uma testemunha viva da História de Portugal e não só. Évora coleciona um vasto património arquitetónico e artístico.

Destacam-se monumentos como o Templo Romano, a Sé e a Capela dos Ossos no Convento de São Francisco. O centro histórico bem preservado é um dos mais ricos em monumentos de Portugal, o que lhe vale o epíteto de “Cidade-Museu”. Em 1986, o centro histórico da cidade foi declarado Património Mundial pela UNESCO.

A história e o património constituem, por isso, uma oportunidade para a valorização de Évora e do Alentejo. Como nos contou uma jovem estudante de História e Arqueologia, “os jovens são fundamentais para todo o processo de inovação mas também na valorização da História e das tradições, para que não se percam. É importante haver transferência de conhecimento entre as gerações”.

O distrito de Évora não é só a cidade e tem outros 13 municípios. São eles Alandroal, Arraiolos, Borba, Estremoz, Montemor-o-Novo, Mora, Portel, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Vendas Novas, Viana do Alentejo e Vila Viçosa. 

O círculo eleitoral de Évora elege três deputados para a Assembleia da República.

Artigo escrito por João Marques, colaborador do projeto Os 230