O 17º episódio da série documental “18 dias, 18 distritos” acontece a sul, em terras algarvias. Faro é o distrito mais meridional de Portugal Continental e provavelmente o mais conhecido de quem visita o país.
A população residente no Algarve tem crescido. O clima e as oportunidades económicas que surgem, sobretudo do turismo e da agricultura, são os aspetos mais salientados para este crescimento populacional. Contudo, a região depara-se com outro problema: a sazonalidade.
Começámos a visita em Loulé, na conhecida “Amendoal”. A pastelaria produz os famosos doces regionais do Algarve, feitos à base de amêndoa e ovos. O estabelecimento está aberto há 42 anos e é dos poucos a garantir a tradição da doçaria local.
Loulé é o concelho mais extenso e populoso do Algarve. No mercado, uma comerciante aponta o principal obstáculo ao desenvolvimento da região: a burocracia. “Muitas coisas podiam “deslanchar” e serem feitas com muito mais prosperidade se não houvesse burocracia a atrapalhar a vida de quem quer produzir. O povo podia ter uma qualidade de vida melhor se não houvesse tanto impedimento a que se fizesse”, afirma.
A agricultura tem um peso na economia da região. Uma produtora conta aos 230 que estão a desaparecer as culturas de sequeiro (amendoeiras, oliveiras, figueiras) para dar lugar a novas culturas, como é o caso do abacate, que nada têm que ver com a região, que vão estragar a paisagem e acabar com a biodiversidade.
Recuperar as tradições
Para além da doçaria, o Algarve também é famoso pela produção de mel, pela cerâmica e pela pesca. Dar importância aos pequenos e médios agricultores e recuperar as tradições são algumas das propostas que os locais avançam.
Em Olhão, fomos conhecer a Ria Formosa e falar com quem se dedica à pesca e à apanha de marisco. Já nem tanta gente vive da pesca. Porque é que se foi perdendo? “O peixe é muito mais caro para fazer conservas. Vêm muitas conservas de fora [de Portugal], mais baratas. Nós não conseguimos combater esses preços. Já não há rentabilidade em enviar os barcos para pescar em Marrocos. Os golfinhos arrasam com a costa toda” afirma um pescador reformado.
A Ria Formosa hoje é também dinamizada à conta do turismo. Muitas pessoas mostram-se interessadas em conhecer a fauna e flora locais, realizando visitas guiados, fazendo birdswatching (observação de aves), visitando as ilhas, saboreando o peixe fresco nos restaurantes típicos.
Dignidade e solidariedade
Os 230 deparou-se com uma manifestação de polícias. “Tratem-nos com dignidade” podia ler-se em alguns cartazes. “Têm tratado muito mal a PSP e a GNR. Não há respeito: quando somos um dos pilares da democracia, garantimos a paz pública, nós é que guardamos as costas e mesmo assim não nos dão o devido valor” desabafou um oficial da PSP.
A par da manifestação como exercício de cidadania e democracia, também nos confrontámos com o espírito de solidariedade do Moto Clube de Faro, célebre pela organização da “Concentração Motard de Faro”. O moto clube conta com 40 anos de existência e tem um papel importante na promoção da cidade.
O distrito de Faro tem 16 concelhos: Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Faro, Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António.
Segundo dados dos Censos 2021, a população ronda os 468 mil habitantes. O círculo eleitoral elege nove deputados para a Assembleia da República.
Artigo escrito por João Marques, colaborador do projeto Os 230