A 12ª paragem da série documental "18 dias, 18 distritos" é no distrito da Guarda. A jornada começou em Celorico da Beira, um dos 14 municípios do distrito que elege três deputados para a Assembleia da República.
“Vêm muitos estrangeiros para cá. Compram casa e ficam cá a morar. Muitos gostam de vir para aqui, para Celorico. Dizem que Celorico é bom, é bonito, é sossegado. Mesmo nas aldeias, compram casas e arranjam-nas” explica uma popular aos 230.
A chegada de estrangeiros para visitar e morar contrasta com a evolução da população portuguesa nos últimos 70 anos. Com o êxodo rural e a emigração, o distrito da Guarda sofreu uma enorme quebra demográfica, perdendo praticamente metade da sua população, que se situa atualmente nos 140 mil habitantes.
Sobressalto cívico
Em meios pequenos e desertificados há espaço para a cidadania ativa? Nesta passagem pela Guarda, deram-se a conhecer dois projetos de intervenção cívica: a “Caixa Solidária”, projeto de partilha de bens criado para ajudar pessoas com maior dificuldade económica, e o “Grupo de Emergência da Guarda” uma comunidade que procura combater as designadas “fake news”, filtrando a informação veiculada pelas redes sociais e promovendo a literacia sobre os mais variados temas.
Este “sobressalto cívico” também chega aos jovens. Apesar do desinteresse e desconfiança que os jovens sentem em relação à política, há um dinamismo notório que se faz sentir no interior, nomeadamente nas associações juvenis.
É exemplo a Associação Cultural e Recreativa de Fernão Joanes que promove atividades desportivas e culturais de referência, sendo responsável pela organização da etapa portuguesa do Campeonato Europeu de Motocross.
Um interior forte
A Casa Agrícola dos Arais foi um dos pontos de visita. A produtora de queijo e requeijão Serra da Estrela com leite de ovelhas é um exemplo de que a agricultura e a pecuária continuam a ser motores da economia da região.
Mas existirão outras oportunidades de desenvolvimento na Guarda? A Plataforma de Inovação da Guarda acredita que sim. É uma associação sem fins lucrativos composta por jovens que pretendem ajudar outros jovens a desenvolver as suas ideias e projetos inovadores, tornando a cidade mais apelativa para todos.
A pandemia aprofundou o conceito de teletrabalho que se tornou habitual em muitos contextos profissionais, permitindo que muitas pessoas possam trabalhar em grandes empresas fora dos grandes centros urbanos e construir uma vida no interior do país com melhor qualidade de vida.
“A cidadania tem muitas facetas e a nossa é mais uma: vestir a camisola do interior, é sentir que nós também aqui estamos, também somos portugueses” referem, sobre a falta de investimento a nível central. Empreendedorismo e criatividade são ingredientes essenciais para tornar o interior forte.
O distrito da Guarda tem uma área total de 5 518 km² e abrange os municípios de Aguiar da Beira, Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Gouveia, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal, Seia, Trancoso e Vila Nova de Foz Côa.
Artigo escrito por João Marques, colaborador do projecto Os 230