No 14º dia de viagem pelo país, chegámos ao Alto Alentejo. O distrito de Portalegre é o menos populoso de Portugal: tem apenas 120 mil habitantes, elegendo apenas dois deputados pelo seu círculo eleitoral.
Acoplado à fronteira com Espanha, é em Portalegre que encontramos algumas cidades e vilas históricas do nosso país, subdividindo-se em 15 municípios: Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Ponte de Sor, Portalegre e Sousel.
Neste episódio da série documental "18 dias, 18 distritos" começámos por visitar Castelo de Vide, terra natal de um dos fundadores da democracia portuguesa: Fernando Salgueiro Maia.
O militar português liderou, a 25 de abril de 1974, a operação militar que levou à rendição de Marcello Caetano e ao fim da ditadura. Na Casa da Cidadania Salgueiro Maia é possível visitar o espólio pessoal do capitão de Abril, deixado em testamento ao Município de Castelo de Vide.
Segue-se para Nisa, terra do queijo, da olaria, das rendas e dos bordados. Apesar da fama, o artesanato da região enfrenta tempos difíceis: não há quem queira aprender o ofício. “As pessoas começam a envelhecer e não há quem as substitua” afirma a artesã da única loja aberta com produção e venda de bordados típicos.
Na loja “Olaria Regional de Nisa - Fabrico Próprio” alimenta-se a esperança que novas gerações possam ter interesse na região, dinamizando-a e criando novas oportunidades para a economia local, nomeadamente através do turismo.
“O interior está muito esquecido”, afirma uma popular em Marvão. Explica que a terra é muito procurada pelos turistas mas “vêm e vão embora”. “É excelente viver aqui, porque é uma ‘paz do senhor’, temos o que nos faz falta. É casa”, acrescenta.
“Uma cidade perdida no Alentejo”
A viagem conclui-se na capital de distrito, Portalegre. Os jovens que encontrámos dizem-nos que antigamente a cidade tinha mais movimento. De facto, Portalegre perdeu cerca de 75 mil habitantes nas últimas décadas.
“Hoje em dia, aquilo que exigimos por parte de uma cidade, é muito mais do que os nossos pais pediam” considera um dos jovens. “Os modos de vida mudaram e esta cidade já não corresponde ao que nós pedimos”.
“Queremos sair daqui e ver outras coisas. Este é um meio muito pequeno e fechado. Há um choque de mentalidades entre nós, jovens, as pessoas mais velhas e as que estão no poder. Os jovens não estão representados porque esta também é uma cidade super envelhecida”.
“É boa para vir cá passear, visitar a família, mas para fazer cá vida é muito difícil. Os jovens, mais tarde ou mais cedo, querem sair daqui” finalizam.
Artigo escrito por João Marques, colaborador do projeto Os 230