É no distrito de Setúbal que termina a nossa série documental “18 dias, 18 distritos”.
Se o distrito de Setúbal numa palavra é “futuro”, o concelho de Almada é “família”. O distrito tem muito potencial de desenvolvimento – com o rio nas imediações, a proximidade a Tróia, a riqueza do Portinho da Arrábida e da serra, o enoturismo e os bons vinhos da Península de Setúbal.
É um distrito grande, extenso e diverso, com mais de 900 mil habitantes, distribuídos por aproximadamente 5 mil quilómetros quadrados, elegendo 18 deputados pelo seu círculo eleitoral. Engloba território desde a área da Grande Lisboa até ao Baixo Alentejo e conta com 13 concelhos (Alcácer do Sal, Alcochete, Almada, Barreiro, Grândola, Moita, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Sines) e 55 freguesias.
Um distrito onde “investir na educação é fundamental” e onde os municípios se destacam pelas suas caraterísticas: Grândola, pelo orgulho que os seus habitantes têm nessa terra que é de liberdade e fraternidade; e Alcácer do Sal, uma cidade histórica, uma das mais antigas da Europa, fundada há mais de 1000 anos a.C. pelos fenícios.
Os jovens do distrito são conscientes de que a maior parte da sua faixa etária não está diretamente ligada à política, não só por serem desinteressados, mas porque “não há muita informação e a comunicação não é eficaz”. O facto de ainda não se aprender na escola formas de participação ativa na sociedade, faz com que os jovens se desliguem da vida política.
Revelam também que o nosso governo e a nossa política não apostam na investigação, nem tão pouco na ciência, tendo em conta o investimento que existe em outros países da Europa. “Deviam olhar para o benefício que a ciência nos traz e olhar para outros países da comunidade europeia que apostam muito na ciência”.
Em relação à democracia, associam-na ao direito à educação, à existência de um equilíbrio entre todos os aspetos da vida: trabalho, escola, educação, saúde. Mas há quem não esconda que existe falta de valores na política e, sobretudo, nos políticos.
Confrontados sobre como poderiam interpelar as Câmaras Municipais ou as Juntas de Freguesia com ideias para desenvolver a cidade ou aspetos a melhorar no distrito, os jovens confessam que não saberiam “como expor ideias para melhorar o concelho/a freguesia” e que essa é uma lacuna no nosso sistema de ensino – “falta ensinar como podemos ter um papel mais ativo ou como podemos mudar alguma coisa”, uma vez que “não sabem onde ir, a quem recorrer, o que é necessário fazer”.
Artigo escrito por Mónica Mota, colaboradora do Projeto Os 230